ANGLE DOMINANT
Lisboa sublinha o custo humano e quotidiano da escalada sobre Kiev: pontes atingidas, estrangeiros convidados a partir e receio de um Inverno de ataques às infraestruturas.
Angle dominant identifié — ne reflète pas l’unanimité des médias de ce pays
POINTS CLES
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Duas pontes de Kiev foram atingidas por drones em 24 horas, segundo a RTP Notícias.
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O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros pediu novamente a diplomatas e estrangeiros que deixem Kiev e anunciou "ataques de retaliação em massa".
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Klitschko descreveu a situação como "extremamente dramática" e a Ucrânia é descrita como atacando regularmente refinarias russas, o que terá contribuído para uma crise de combustível no verão.
ANALYSE
Lisboa, 4 de outubro de 2026. A imprensa portuguesa acompanha a escalada sobre Kiev sobretudo pelo prisma do custo para a população e do aviso dirigido aos estrangeiros. A RTP Notícias titula que duas pontes da capital ucraniana foram atingidas por drones em 24 horas e recorda que Moscovo avisou diplomatas e cidadãos estrangeiros de que correm risco. Segundo a emissora, a ameaça repete a que fora feita em maio, mas surge agora num momento em que os bombardeamentos russos aumentam. O presidente ucraniano, escreve a RTP, diz que a Rússia quer tornar impossível viver em Kiev.
O Jornal Económico e o SAPO Notícias, que publicam o mesmo despacho, detalham o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Moscovo pediu "novamente" que diplomatas e estrangeiros abandonem a cidade e anunciou que as suas forças continuarão a efetuar "ataques de retaliação em massa" contra "alvos militares em Kiev e em outras cidades ucranianas". O texto russo acrescenta que a responsabilidade por eventuais consequências "recai inteiramente sobre aqueles que ignorarem este aviso".
Os jornais dão voz ao presidente da Câmara de Kiev, Vitaly Klitschko, que descreveu na sexta-feira a situação como "extremamente dramática" e disse que Moscovo está "a devastar" a cidade ao atacar sistematicamente as suas infraestruturas e logística. Os ataques atingiram pontes e provocaram grandes congestionamentos de circulação, o que coloca o problema da mobilidade quotidiana de uma cidade dividida pelo Dniepr.
O horizonte que a imprensa projeta é o do Inverno. As autoridades ucranianas temem, sobretudo, a chegada de um período crítico em que a Rússia poderá desferir um duro golpe contra a infraestrutura energética do país, "tal como ocorreu em 2025". A cobertura lembra, em contraponto, que a Ucrânia ataca regularmente refinarias e depósitos de petróleo na Rússia, o que terá ajudado a provocar uma crise de combustível neste verão, bem como armazéns comerciais e navios de carga.
Nos textos portugueses, a dimensão diplomática e as negociações em curso ficam fora do relato: o foco está nas pontes, no aviso aos estrangeiros e no receio do Inverno, com a leitura económica limitada ao efeito dos ataques às refinarias russas.
